Startup avaliada em mais de US$1 bilhão permite que cegos leiam e reconheçam rostos

Pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que se medidas não forem adotadas, até 2020 existirão 75 milhões de pessoas cegas em todo o mundo e mais de 225 milhões com baixa visão.

De olho nesse mercado, a startup israelense OrCam, fundada em 2010, desenvolveu um modelo de negócios rentável que beneficia cegos em todo o mundo.

O dispositivo criado pela empresa é pequeno – menor do que uma caixa de fósforos – e permite a deficientes visuais reconhecer rostos, ler textos não traduzidos para o Braile e identificar cores.

Como funciona

Denominado MyEye 2.0, o aparelho é acoplado em óculos convencionais e funciona como uma espécie de tradutor. Ao apontar o dedo para um objeto, o dispositivo reconhece a ação e o descreve por meio de voz dizendo qual a marca, cor ou valor.

Quando usado em um livro, jornal ou revista, o sistema faz a leitura de maneira fluida, com pausas e pontuações adequadas. De acordo com o fundador Ziv Aviram, em entrevista à Revista Exame, esse era o maior desejado das pessoas entrevistadas. “Durante o desenvolvimento do produto, conversamos com os deficientes visuais e 90% deles pediram a capacidade de leitura”, disse.

Além de reconhecer objetos e textos, o aparelho também oferece ao usuário o reconhecimento facial de pessoas previamente cadastradas. Assim, ao passar por um conhecido, o sistema diz o nome da pessoa. Tal ação, por mais simples que possa parecer, permite aos cegos uma maior sociabilidade.

Vendas no Brasil

O MyEye 2.0 está disponível em 12 línguas, inclusive em português. Para que funcione, não é necessário acesso à internet. No Brasil, o aparelho é representado pela empresa Mais Autonomia.  Quem tiver curiosidade de conhece-lo pode visitar a biblioteca do Centro Cultural Unibes, localizada em São Paulo e ter acesso a um exemplar.

Atualmente, o preço para aquisição é de R$ 18.900 e pode ser parcelado por meio de linha de crédito de produtos e serviços de tecnologia assistiva do Banco do Brasil em até 60 vezes.

Por mais alto que possa parecer o valor, os ganhos para quem o adquire são inúmeros e permite ao portador maior autonomia nas atividades rotineiras, maior sociabilidade e inserção no mercado de trabalho.

Tecnologias para o bem

A OrCam é a segunda empresa de Aviram e seu sócio, Amnon Shashua, que usa tecnologia para trazer benefícios à sociedade em larga escala. A primeira startup, Mobileye, desenvolvida para o reconhecimento de imagens aplicadas em carros autônomos, foi vendida para a fabricante de chips Intel por US$ 15 bilhões. Já a OrCam, foi avaliada como um “Unicórnio do Bem”, ou seja, possui valor de mercado de U$ 1 bilhão de dólares ou mais.